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Entrevista: Caiu na rede? O efeito é devastador!

Reproduzo a matéria em que dei entrevista à jornalista Rosângela Monteiro, do Diário Gaúcho, referente ao vazamento de vídeos na internet. A notícia também traz as opiniões do Dr. Marcínio Tavares Neto e do advogado Dr. Leonardo Zanatta.

Foto: TV Globo/Reprodução
Ao estilo Daniela Cicarelli e Tato Malzoni, Michel (Caio Castro) e Patrícia (Maria Casadevall), de Amor à Vida, foram filmados em momento de total intimidade, e o vídeo foi parar na internet, causando o maior constrangimento ao casal no bar que eles frequentam e no local de trabalho dos dois: o Hospital San Magno. Ao contrário da modelo e apresentadora, que escolheu o mar da Espanha para fazer sexo e foi flagrada por um paparazzo, em 2006, na novela, a dupla deixou rolar no provador de uma loja, num shopping, e acabou sendo filmada. A partir daí, a vida nunca mais é a mesma...

Assim como nas outras vezes em que foram flagrados transando dentro do hospital, nenhum dos dois se preocupou muito com a situação, mas, na vida real, ter um vídeo de sexo exposto na rede causa a maior dor de cabeça. Que o diga Daniela Cicarelli, que teve de entrar na Justiça contra vários sites para tirar o conteúdo do ar!

- O melhor é nunca fazer um vídeo assim. Se fizer, pense muito bem antes, estipule regras sobre o que pode ser feito ou não e de que forma será guardado. Tirar este vídeo da internet é um processo complicado - explica o delegado Emerson Wendt, que ajudou a criar a Delegacia de Repressão a Crimes Informáticos, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.

É que grande parte dos vídeos de sexo que caem na rede não vem de flagras de câmeras de lojas, como na novela, mas, sim, dos próprios casais. Muitas vezes, com o fim da relação, um dos envolvidos pode acabar jogando este conteúdo na rede, para constranger ou chantagear o outro.

Titular da Delegacia de Repressão a Crimes Informáticos, o delegado Marcínio Tavares alerta que o ex-namorado que fez isto, por exemplo, será acusado de dano moral e poderá responder a uma ação cível. Como em tudo na vida, é preciso ter bom senso também na hora de deixar-se filmar assim, para evitar que a sua intimidade seja exposta. Por isso, fique por dentro do assunto ao ler as histórias abaixo.

Fuja do papinho!

Não caia no conto da prova de amor, muito citada como justificativa pelas pessoas que tiveram a sua intimidade jogada na rede! Se o seu par exigir um vídeo ou fotos sensuais, fuja!

Grande parte do material que cai na internet é consentido, ou seja, os envolvidos toparam fazer as fotos e os vídeos. Todos os especialistas ouvidos nesta reportagem, que trabalham diretamente com estes casos, alertam para nem autorizar este tipo de filmagem.

- Pode ter um efeito devastador na vida de uma pessoa - salienta o delegado Emerson.

Difícil de esquecer... Aí, entra a família

A psicóloga Ana Figueiró ressalta que os jovens tendem a sofrer mais com situações de exposição como a da novela, pois ainda necessitam de maior aprovação do grupo e, geralmente, não têm recursos pessoais tão estruturados para suportar a rejeição e a crítica. Contudo, em qualquer faixa etária, uma história dessas causa intenso sofrimento e uma dor psíquica.

Neste momento, a família tem um papel fundamental de proteção e aconchego.

- Depois de um baque assim, a pessoa vai precisar de tempo para superar e buscar os seus objetivos, visando um novo horizonte que não tenha relação com o episódio constrangedor - explica a especialista.

Para sempre na internet

Advogado especializado em Direito digital, Leonardo Zanatta recebe em seu escritório, na Capital, todo dia, homens e mulheres que tiveram vídeos íntimos seus expostos na internet.

Diário Gaúcho – Quem mais sofre com isso: homens ou mulheres?
Leonardo Zanatta – O público feminino. Na maioria das vezes, jovens de 18 a 25 anos. Geralmente, estes vídeos vão parar na internet com o final da relação. Tenho um cliente, médico influente, cuja ex se passou por ele num site de relacionamentos, dando o endereço profissional e o telefone residencial. Ele foi demitido (e readmitido depois do processo judicial). Entramos na Justiça contra ela pelos crimes contra a honra, difamação e calúnia. Ele ganhou indenização e, qualquer novo contato que ela fizer, terá de pagar uma multa de R$ 100 mil!

Diário – É possível tirar o vídeo da web?
Leonardo – É caro e tem 50% de eficácia. Consigo remover do site de buscas Google. Mas sites pornográficos de outros países copiam o material.

Diário – O que a vítima pode fazer neste caso?
Leonardo – Se não sabia que estava sendo filmada, pode pedir na Justiça indenização. Se foi consentido, não deve entrar com ação. Geralmente, o juiz não é favorável neste caso.

Lei Carolina Dieckmann

Nem sempre imagens ou vídeos picantes vão parar na internet por vingança de ex. Carolina Dieckmann teve o computador invadido, e 36 fotos sensuais da atriz foram publicadas na web, em maio do ano passado – os hackers envolvidos na invasão do e-mail foram presos.

O caso teve tanta repercussão que a lei federal 12.737, de 2012, ganhou o apelido de Lei Carolina Dieckmann, que torna crime a invasão de aparelhos eletrônicos para obtenção de dados particulares. Delitos desse tipo são punidos, agora, com multa e detenção de seis meses a dois anos.

Fonte: Diário Gaúcho, neste link.

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