segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Fantástico: Carros roubados no Brasil são negociados por armas e dinheiro no Paraguai

Reproduzo, abaixo, a matéria do fantástico sobre como os carros roubados no Brasil são negociados por armas e dinheiro, cuja operação principal ocorreu no Rio Grande do Sul, comandada pelo Dr. Heliomar Athaydes Franco, Titular da Delegacia de Roubo de Veículos do DEIC/RS. Tive o privilégio de participar da operação, acompanhando a busca e apreensão numa das residências.


A cada dia, mais de mil carros são roubados no país. E você sabe quanto um ladrão ganha pelo seu veículo? O Fantástico descobriu o que acontece com os carros depois do roubo.

O nosso ponto de partida é Porto Alegre. O estacionamento do aeroporto Salgado Filho.
Assim que chega, a equipe da Polícia Civil gaúcha encontra dois carros clonados. O local virou um depósito para os bandidos.

Veja aqui o mapa do roubo de carros no Brasil:


“Normalmente ele vai para lá logo depois do roubo para que ele não seja encontrado em via pública. Ou em poder do indivíduo que roubou o automóvel. Esse veículo sai do sistema de alerta das polícias e fica em segurança para o criminoso, guardado dentro do aeroporto”, explica o delegado Heliomar Franco, da Delegacia de Roubos e Veículos do Rio Grande do Sul. 
Uma caminhonete foi roubada e recebeu placas falsas com numeração igual à de um veículo idêntico a ela. É um clone. Em vez de apreender o veículo, a polícia armou uma estratégia para descobrir qual o destino da caminhonete e instalou um rastreador - um equipamento que envia a localização exata dos veículos via satélite para uma central. 

O rastreador indica que a caminhonete roubada - que estava no aeroporto - se movimentou. Saiu de Porto Alegre e percorreu 1,2 mil quilômetros até Guaíra, na fronteira com o Paraguai.

Pegamos a estrada para refazer o caminho indicado pelo rastreador. O mapa indica que o bandido fez uma parada e dormiu em um hotel. Também aponta que o ladrão passou por pelo menos 12 postos de Polícia Rodoviária até chegar a Guaíra.

Informados pelos investigadores, policiais do Paraná apreenderam a caminhonete. Com ela, a polícia achou documentos falsificados. Para descobrir a fraude, só com equipamento especial.
Se a polícia não tivesse agido para onde teria ido a caminhonete? Provavelmente iria para o Paraguai.

“Esses veículos são roubados no Brasil e revendidos ou trocados por droga ou por dinheiro em espécie”, admite o chefe da investigação Henrique Almeida.

A poucos quilômetros de Guaíra fica a fronteira com a cidade paraguaia de Salto del Guayrá. Descobrimos que para fugir da fiscalização, as quadrilhas atravessam os carros em balsas improvisadas, registradas em fotos. A travessia é feita a partir de portos clandestinos nas margens do lago de Itaipú.

“A partir do momento que o barco chega à margem, logo depois está em solo paraguaio”, diz José Carlos Guglielmetti, da Polícia Civil do Paraná.

“Chegando do outro lado, nós não temos controle para saber para onde esses carros vão. Só sabemos que ele não volta para o Brasil”, garante Almeida.

Em Salto del Guayrá, o repórter Giovani Grizotti entrou na casa de um receptador. Ele diz que paga R$ 400 de propina aos policiais paraguaios para cada carro roubado que entra na cidade.

Receptador: Quando um carro entra aqui, você tem que pagar para a polícia para ele não catar você. tenho que pagar para a polícia.
Grizotti: Quanto é que tem que pagar?
Receptador: Você paga R$ 400.
Grizotti: Por isso tem um monte de carro sem placa por aí?
Receptador: Tem um monte!

Procurada pelo Fantástico, a embaixada do Paraguai disse que o Governo só vai falar sobre a denúncia depois que esta reportagem for ao ar.

Nas ruas de Salto del Guayrá, carros sem placa são comuns. Encontramos também veículos roubados no Brasil com a identificação original. Um automóvel santana foi furtado em Indaiatuba, interior de São Paulo.O Fantástico conseguiu encontrar o verdadeiro dono. Quando ele viu as imagens, ficou surpreso!

“Absurdo. Mesmo estando em outro país. E eu imaginei que já tivesse sido desmanchado. Fosse para um desmanche. Depois de cinco anos, o carro está conservado ainda”, revela o professor João Rubens Júnior.

O Fantástico obteve o ranking das cidades com a maior proporção de furtos e roubos de veículos.
Entre as dez primeiras, seis são do estado de São Paulo.

“Se você pega um mapa de São Paulo, você vai ver uma concentração nos municípios de renda mais elevada. E nas regiões metropolitanas - de São Paulo, Campinas e Santos. Porque existe também nestas áreas muito adensadas e urbanizadas um mercado grande de peças ilegais. Mas São Paulo paga o preço de ser um estado rico”, constata o secretário de Segurança Pública de São Paulo Tulio Kahn.

A campeã é a cidade de Diadema. O empresário Márcio Martins Machado que o diga. “Fui assaltado cinco vezes. Quatro vezes à mão armada e uma vez foi furto. Tem seguradora que não quer nem ouvir meu nome”.

O avanço tecnológico mudou a forma de agir dos ladrões. Em vez de furtar, isto é, levar carros sem que os donos percebam, os bandidos estão ameaçando os motoristas, ou seja, roubando.

“A indústria do crime começou a entender que deveria atacar através do roubo, ou seja, com o condutor junto. Isso porque o motorista desliga o alarme, desbloqueia os rastreadores, uma série de mecanismos contrários àquilo que está acontecendo no veículo que está sendo roubado”, explica Júlio Cesar Rosa, da Confederação Nacional das Seguradoras.

Com um rastreador, é possível localizar o carro e até ouvir o que está sendo conversado dentro dele até pelo celular! Isso é fundamental em um caso de sequestro. Veja no vídeo o teste que fizemos.

Mas os bandidos arranjaram um jeito de enganar esse mecanismo de proteção dos motoristas. Na internet e em lojas do Paraguai, encontramos um equipamento - um bloqueador de GPS. Com ele, o sinal do rastreador é cortado e fica impossível descobrir onde o automóvel foi parar.

Fantástico: Ele vende bastante?
Vendedora: Vende.

Uma ameaça a mais para as vítimas. Um advogado perdeu o irmão em um roubo de carro em 2008. Há três meses, foi ele quem ficou na mira da arma dos ladrões.“Houve menção de levar a mim junto, eu resisti a isso. Ali eu estava entre a vida e a morte”, lembra.

No começo da reportagem, você viu como uma caminhonete roubada no Rio Grande do Sul foi parar na fronteira do Brasil com o Paraguai. Agora, a equipe do Fantástico vai seguir outra pista no país vizinho. Nosso destino é Ciudad del Este.

Cruzamos a Ponte da Amizade sem qualquer abordagem. Segundo a Receita Federal, apreensões são feitas por denúncia ou amostragem e a fiscalização está voltada para contrabando.

Do outro lado, encontramos um homem. Perguntamos se ele comprava carro roubado.
E ele nos leva ao chefe da quadrilha.

Homem: É esse carro que tu quer vender?
Grizotti: É. Vocês têm alguma coisa na troca?
Homem: Dinheiro na mão.

O repórter cinematográfico Marcelo Táil encontra o homem que se identifica como Mario. O paraguaio diz que está disposto a comprar nosso carro. E não é só dinheiro que ele tem para oferecer.

Fantástico: Me explica uma coisa, como é que é o negócio?
Homem: Se você quiser dinheiro, tem dinheiro, tem arma, você consegue trocar.
Fantástico: Na troca do carro?
Homem: É. Na troca do carro.

A oferta é grande e ele garante que entrega as armas direto no Brasil.

Fantástico: Que armas que tem?
Homem: Ponto quarenta, nove milímetros.
Fantástico: Vale uma ponto quarenta?
Homem: R$ 1800.
Fantástico: E fuzil?
Homem: Tem ponto trinta. Tem M16, metralhadora. Tem tudo!
Fantástico: E como é que é para passar com isso? Ou entrega lá do lado de lá?
Homem: Entrega para você se você quer, por rio, à noite, de madrugada. A gente entrega pra você lá
Fantástico: Entrega a arma?
Homem: Sim.

A operação da polícia que nós acompanhamos começou em maio. O objetivo: prender os brasileiros que levam os carros até a fronteira. Por isso, os policiais instalaram o rastreador na caminhonete que foi levada para a cidade paranaense de Guaíra.A polícia poderia ter apreendido o veículo no aeroporto, em Porto Alegre, mas deixou que fosse movimentado como estratégia para pegar a quadrilha.

Nove pessoas foram presas. A maioria esta semana. Uma delas é uma advogada. Seguimos a mulher antes da prisão. Ela circulava em um automóvel clonado - com placas frias e documento falso. Durante a operação, Dora Luiza Vargas não reagiu à ordem de prisão. Ela foi presa em flagrante por receptação.

Criminoso vende placas e documentos para esquentar carros roubados

O carro estava pertinho da verdadeira dona. Acompanhamos o momento em que a administradora Maria Dione Inocente o reencontrou, no pátio da polícia. Ela foi assaltada no dia 13 de agosto. “Que saudade do meu carrinho! Levaram meus casacos, tudo o que estava dentro dele. Não acredito que meu carro estava com uma advogada. Estou com palpitação, estou com meu coração pulando de indignação, de falta de respeito. Não sei o que dizer”.

Mesmo que ela tivesse visto o carro na rua, não ia saber que era o seu. A placa foi clonada de um veículo idêntico que está à venda em Santa Catarina. Clonar um carro é fácil. No coração de São Paulo, a placa diz que um homem compra ouro. Mas a joia que ele vende é outra - material para bandido.

Perguntamos se ele negocia placas e o documento popularmente conhecido como DUT, para esquentar automóveis roubados.

Grizotti: Quanto que ele cobraria para fazer o DUT?
Homem: R$ 400 que ele cobra para fazer o DUT.
Grizotti: Mas o papel é bom?
Outro homem: É original.

Agora, ele apresenta o colega José de Abreu, o chefe do esquema.

José de Abreu: Só trabalho com original.
Grizotti: Eu te compro, só que vou precisar de duas placas também. Eu vou precisar do par.
José de Abreu: Duas placas sai R$ 300.
Grizotti: Mas o papel é quente de dentro do Detran?
José de Abreu: Papel é original. Você vê o brasão, vê tudo. Sou honesto, aqui não tem esse negócio de safadagem.

A entrega é marcada para o dia seguinte. Ao meio dia, o repórter Giovani Grizotti vai buscar a encomenda. Na chegada, reencontra o intermediário: Noel.

Noel: Já está tudo prontinho já. É só você pegar e levar já. Ficou bonito para caramba, ele me mostrou tudo.
Grizotti: É documento quente mesmo?
Homem: Pode confiar. Do Zé de Abreu não tem nada falso, tudo que ele faz é original.

Ele entrega as placas e remete o documento pelo correio. Dias depois, a encomenda chega. O intermediário assina como remetente. O endereço, é claro, é Praça da Sé.

O que vamos revelar agora é um escândalo ainda maior. O perito de documentos Oto Rodrigues garante. “Esse formulário com certeza ele é verdadeiro”.

Verdadeiro e desviado do Detran de São Paulo. “Uma técnica de impressão muito sofisticada que o falsário não tem acesso. A rasura se resumiu apenas à identificação do estado e não aos dados do veículo que estão no documento. Isso significa que esse formulário foi furtado em branco de algum local e depois foi expedido fraudulentamente, com a substituição da sigla de SP pela do RS”, explica Rodrigues.

O suficiente para enganar os policiais numa blitz. “Sem dúvida nenhuma. Um formulário desse em branco vale o quanto pesa, porque o estelionatário coloca o que ele quer”, avisa o perito.

A Secretaria de Segurança de São Paulo, responsável pelo Detran, determinou abertura de investigação.Entregamos as placas e o documento falso para a Polícia Civil de São Paulo.

“O que eu posso assegurar é providência imediata, uma vez que tomamos conhecimento da obtenção desse material de origem criminosa, ilícita, vamos instaurar inquérito policial”, avisa o delegado José Mariano de Araujo Filho, da delegacia de Furto e Roubo de veículos de São Paulo.

Fomos procurar também o homem que vendeu o documento e as placas. Desta vez, sem câmera escondida. José de Abreu estava na Praça da Sé, como de costume. Demos a chance para ele se defender, mas ele preferiu fugir. 

As ações anti anti-WikiLeaks e a legislação penal brasileira

Este artigo foi elaborado em conjunto pelos seguintes autores:
Sandro Süfferthttp://blog.suffert.com

Há alguns dias acompanhamos uma frenética divulgação, pelo site WikiLeaks, de conteúdos de correspondências trocadas pelas embaixadas americanas. O caso passou a ser chamado de Cablegate.

Não bastasse isso, com a retaliação advinda do Governo americano e de grandes empresas (a exemplo da Amazon, que deixou de hospedar o site e da Mastercard e Visa, que deixaram de processar seus pagamentos) a consequência passou a ser um contra-ataque oriundo de simpatizantes de Julian Assange (idealizador do WikiLeaks).


O contra-ataque veio em várias frentes. Primeiro, na criação dos chamados espelhos do site (mirrors), funcionando como ferramentas para manter o "ideal" do WikiLeaks, e o que representa, ativo e visto por todos, e; segundo, através de ataques direcionados a determinados sites apoiadores da ideia anti-WikiLeaks. 


A última ação do grupo foi a invasão e exposição de contas e senhas do site Gawker que recentemente publicou um artigo minimizando a capacidade do grupo. (Para verificar se sua conta foi comprometida, use este link).

Exemplo de site espelho no Brasil.
No caso dos "mirrors" do site Wikileaks, que no Brasil já são doze, em avaliando a legislação brasileira, percebe-se que a posição do Dr. Omar Kaminski, reproduzida nesta avaliação, é a mais acertada, pois que não há previsão no Brasil quanto à punibilidade (aspecto penal) de pessoas que eventualmente hospedem uma página que contenha conteúdo reservado, confidencial, secreto ou ultra-secreto relativo a outro país. Diz Omar que quem "poderia tomar providências seriam os Estados Unidos. Devido ao trâmite diplomático e burocrático, seria muito difícil. Como o material é de fora, a legislação que deveria ser aplicada seria a deles".

Já no caso dos ataques direcionados a sites apoiadores da ideia anti-WikiLeaks, ou seja, que seriam orientados pelo Governo americano, antes da avaliação quanto à aplicação da Lei Penal Brasileira, há que se fazer uma explicação a respeito.

Segundo já escrito anteriormente, várias das empresas que "viraram as costas" para o Wikileaks estão sofrendo ataques maciços de negação de serviço - ou DDoS (Distributed Denial of Service) - que inviabilizam sua presença online.

Um grupo, denominado "Anonymous", através de perfis do twitter como  "anon_operation", “anon_operationn”, “anonopsnet” (já retirados do ar pelo Twitter), está comandando os ataques às empresas, que por pedido do Governo americano bloquearam os serviços que eram utilizados pela Wikileaks. Além do Twitter, o site do grupo (http://anonops.net/) e o seu perfil no Facebook também estão fora do ar.

O ataque é distribuído, e mais de 30.000 "bots voluntários" se unem a um canal de irc (ou a uma conta no twitter) para baixar a ferramenta "LOIC" (Low Orbit Ion Cannon) - que pode ser configurada em modo Hive Mind (algo como "Consciência Coletiva") - para que a máquina vire um zumbi pré-configurado para atacar os alvos escolhidos pelo grupo. Um dos alvos foi a VISA (www.visa.com), além do Mastercard e mais recentemente o site britânico da Amazon. A taxa de download da ferramenta passou de mil downloads por hora, o que demonstra o grande interesse nesta ação de “hacktivism”.

O grupo foi mais além e agora tem uma versão que roda direto do navegador. O JS LOIC é baseado em JavaScript e por isto não precisa ser instalado, bastando acessar uma página da web para colaborar com os ataques.

Além da facilidade de usar, o JS LOIC traz a vantagem de rodar em qualquer navegador moderno, incluindo os navegadores do iPhone e Android. Segundo Sean-Paul Correll, da Panda Security, o JS LOIC não é tão eficiente quanto a versão original, instalada na máquina, mas, por outro lado, abre a possibilidade de um número absurdamente maior de pessoas colaborarem com os ataques. Para os ativistas digitais, o conceito é até romântico: usar pequenos aparelhos celulares para atacar grandes sites. (fonte: IT Versa, neste link)

Segundo foi anunciado recentemente, dois holandeses, um menor de 16 anos e outro maior, de 19 anos, já foram presos por envolvimento nesses ataques. No caso do maior, por direcionar o ciberataque contra o site da promotoria holandesa.

A estratégia de distribuir ferramentas de Denial of Service para o público não é nova, e já foi utilizada durante os ataques que envolveram a Rússia e a Estônia em abril de 2007 e a Rússia e a Geórgia em Agosto de 2008.
O desenvolvimento e a utilização de tais ferramentas são crimes previstos há anos em legislações de vários países, como a Holanda, a Inglaterra e a Alemanha.
E, caso se comprovasse a origem de um ataque como sendo oriunda do Brasil? Bom, neste caso, teríamos de avaliar duas situações diferenciadas: primeiro, se o site atacado é nacional, e; segundo, se o ataque for direcionado a site internacional.

Nos dois casos, pode haver configuração de crime de dano, previsto no art. 163 do Código Penal Brasileiro:
Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave;
III - contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista;
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.


No caso de site nacional, o seu representante legal é apto para encaminhar a queixa-crime, sendo facilitado seu processo por já estar constituído legalmente no Brasil. No caso de site internacional e em não havendo representante legal no Brasil, cumpre-lhe encaminhar a documentação necessária (de sua constituição e representação de acordo com as leis locais de seu país de origem). Em ambos os casos há necessidade da comprovação do dano provocado.

Porém, se além do dano provocado, para recolocar o site no ar há exigência de alguma cooperação financeira em troca, pode haver outra configuração delitiva:
Extorsão
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço até metade.
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior.
§ 3o  Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente.
No caso do ataque coordenado “anti-anti-wikileaks”, vários alvos são selecionados e controlados via um canal IRC ou um perfil no twitter. O grupo auto-denominado “Operation Anonymous” informa nas “perguntas mais frequentes” (FAQ), que ao utilizar a ferramenta LOIC as chances de prisão são “próximas de zero”, e basta alegar que seu computador foi infectado por um vírus ou alegar não ter conhecimento de nada.

A realidade é diferente, e o rastreamente de tais atividades é simples e solicitações de “quebra de sigilo IP” podem revelar facilmente a identidade dos atores por trás do ataque.

Há que se asseverar, já pensando no futuro da legislação brasileira, que o Projeto de Lei 84/99, traz previsão expressa quanto ao que escrevemos acima. O crime de dano teria nova redação, assim prevista:

Art. 163. Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia ou dado eletrônico alheio:


Ademais, o PL 84/99 prevê outro artigo interessante, no qual pode ser enquadrado o caso em questão:

“Inserção ou difusão de código malicioso”
Art. 163-A. Inserir ou difundir código malicioso em dispositivo de comunicação, rede de computadores, ou sistema informatizado.
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Inserção ou difusão de código malicioso seguido de dano
§ 1º Produzir intencionalmente ou vender código malicioso destinado ao uso em dispositivo de comunicação, rede de computadores ou sistema informatizado.
Pena – reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa
§ 2º Se do crime resulta destruição, inutilização, deterioração, alteração, dificultação do funcionamento, ou funcionamento desautorizado pelo legítimo titular, de dispositivo de comunicação, de rede de computadores, ou de sistema informatizado:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 3º Se o agente se vale de nome falso ou da utilização de identidade de terceiros para a prática do crime, a pena é aumentada de sexta parte.
Na verdade, aporta aí uma solução importante e que pode delinear um futuro diferenciado quanto ao aspecto penal de utilização de uma rede de computadores zumbis com a finalidade de paralisar um serviço disponibilizado na web.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Participação em prisões realizadas pelo DEIC/PC/RS

Na semana que passou tive a oportunidade de participar de uma operação policial do DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais), da Polícia Civil gaúcha, coordenada pelo Dr. Heliomar Athaydes Franco.

Veja abaixo a reportagem (clique no link), realizada por uma rede de TV gaúcha e com a chamada "Polícia desarticulou quadrilha que roubava e clonava veículos no Estado", passada logo após a realização da operação (a notícia começa aos 00min43s).

No mesmo dia (07/12), à noite, outra reportagem foi veiculada, sob o título "Presos suspeitos de clonar veículos e documentos" (a notícia começa aos 03min14s):


sábado, 4 de dezembro de 2010

Participe e concorra a ferramentas de segurança da PC Tools

Seguindo a agenda das promoções, conjuntas do Blog do Emerson com as empresas antivírus, estou lançando a promo conjunta com a empresa Edelman Brasil, que disponibilizou: 1 licença do PC TOOLS Internet Security 2011; 2 licenças do PC TOOLS Spyware Doctor whit Antivírus 2011; 1 licença do PC TOOLS Registry Mechanic 2011 e 1 licença do PC TOOLS Performance Toolkit 2011.

Condições para concorrer a uma licença:

Por isso, algumas considerações:

1) Para concorrer o leitor deve seguir as arrobas @EmersonWendt (1964) e @PCTOOLS (5391) e dar um RT. Conteúdo do tweet deve ter o seguinte texto:

Siga @EmersonWendt e @PCTOOLS e concorra a licenças de ferramentas de proteção PC TOOLS. RT em http://kingo.to/nsn

2) Em princípio, a data do sorteio será a partir do dia 05/12 (domingo) até o dia 12/12 (domingo), pelo Twitter, pela conta @EmersonWendt. Dependendo da agenda pode haver modificação de data. Por isso, fique atento!


Sobre os produtos que serão sorteados (dados fornecidos pela Edelman):


1) PC TOOLS Internet Security 2011:

- oferece proteção contra ameaças online com antimalware, antispam e firewall avançados, em uma solução flexível e fácil de usar.

2) PC TOOLS Spyware Doctor whit Antivírus 2011:

- fornece ferramentas para bloquear spyware, vírus e outras ameaças. Sua detecção inclui a capacidade de bloquear e remover ameaças online mais rapidamente, sem deixar o seu PC mais lento.

3) PC TOOLS Registry Mechanic 2011:

- oferece ferramentas de otimização fáceis de usar para acelerar e melhorar a estabilidade do seu PC com Windows® 7, Windows Vista®, ou Windows XP.

4) PC TOOLS Performance Toolkit 2011:

- oferece ferramentas fáceis de usar para acelerar o seu PC, otimizar o desempenho e proteger a sua privacidade.

Opções gratuitas da PC Tools:

2) PC Tools Firewall Plus 7: Pode ser usado em complemento ao sistema antivírus gratuito, possuindo vários recursos (clique e veja);
3) ThreatFire: ferramenta de proteção contra malware zero day.

Opções de suporte:

A PC Tools disponibiliza uma página de suporte, tanto por chat quanto por telefone, das 10h às 19h, de segunda a sexta-feira.

Opções de preços:

Portfólio de proteção
Portfólio de desempenho
Spyware Doctor com o Antivírus
3 PCs/ano
R$ 59,00
Registry Mechanic 3 PCs/ano*
US$ 29,99
Spyware Doctor com o Antivírus 1 PC/ano
R$ 39,00
Performance Toolkit 3 PCs/ano*
US$ 39,99
PC Tools Internet Security 3 PCs/ano
R$ 79,00


PC Tools Internet Security 1 PC/ano
R$ 59,00


Spyware Doctor 3 PCs/ano*
US$ 29,99



Veja também:
A PC Tools alerta usuários para que não caiam nas garras de criminosos virtuais
PC Tools lançou sua linha de produtos de segurança para 2011