quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Rogério Meirelles da Polícia Federal aborda crimes da era digital



Maior cuidado dos pais pode evitar crimes pela internet, cada vez mais comuns

Novo Hamburgo/RS - O Conselho de Serviços da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha promoveu na terça-feira (16) a palestra "Segurança da Informação", com o agente especial da Polícia Federal, Rogério Nogueira Meirelles. Para o especialista, soluções simples como não adquirir programas piratas, não abrir e-mails desconhecidos e não autorizar que qualquer programa seja instalado em suas máquinas já evitaria grande parte dos problemas. "A questão é que os pais perderam o bonde da história, e muitos não se atualizaram. Então, quem lida com os computadores, indiscriminadamente, são os jovens. Esses jovens, por passarem muito tempo na internet, desenvolvem uma lógica de ética própria, e acabam cometendo crimes", alerta Meirelles.

A prevenção de crimes cibernéticos é cada vez mais complicada, devido as novas tecnologias, o aumento do número de usuários e a inteligência cada vez maior dos hackers (como são chamados os criminosos digitais). Meirelles diz que as fraudes eletrônicas atingem indiscriminadamente empresas, sistemas bancários, sistemas de telecomunicações, órgãos públicos e usuários domésticos. "Hoje tudo é on-line, e esses jovens (quase sempre são jovens) têm um conhecimento acima da média sobre informática, e muito tempo disponível. Em média faturam cerca de R$ 10 mil por mês com fraudes", explica Meirelles.

A Polícia Federal age em casos de ataques contra órgãos públicos, em casos de racismo, pedofilia, terrorismo, tráfico de drogas, e pirataria. "É muito difícil legislar sobre os crimes na internet. Porém, ganhamos um aliado há poucos dias contra a pedofilia. Agora, o simples fato de armazenar fotos e vídeos de menores com conotação sexual já é crime. Antes tinha que haver o repasse dessas imagens para terceiros", observou. Ainda para Meirelles, outros tipos de crimes, como o estelionato digital, dependem de impulsos humanos, alguns bem primitivos. "É o velho 171 só que agora na forma digital. Pois quando alguém acredita em um spam para ganhar alguma coisa, está utilizando sua cobiça e sua ganância, aquela idéia de dinheiro fácil. Está fazendo o mesmo que comprar um bilhete premiado", diz o agente.

Nos casos em que jovens cometem crimes de dentro de casa, um dos principais alertas feito pelo agente da PF é que os pais não deixem os filhos terem o computador dentro do quarto. "É nesse ambiente, sem o controle dos pais, que ocorrem os crimes. Já chegamos em casas onde os pais imaginavam que os filhos estavam seguros, mas estavam na verdade cometendo crimes pela internet", informa Meirelles.

A Polícia Federal tem uma equipe especializada em crimes pela internet, que monitora diuturnamente as atividades no país. Quando recebe uma denúncia ela é analisada. Se confirmada, são feitas apreensões com mandados judiciais. Se confirmado o crime é instaurado um inquérito, e no caso de ser um crime internacional a Interpol é comunicada. "A legislação ainda é muito desatualizada e ineficaz, mas temos realizado várias prisões e desbaratado vários esquemas. Temos tecnologia e pessoal especializado", finalizou Meirelles. Denúncias de crimes pela internet podem ser feitos pelo e-mail dcs@dpf.gov.br.

Fonte: De Zotti - Assessoria de Imprensa

Nenhum comentário: